Uma no cravo, outra na ferradura

Para colocar uma ferradura num cavalo, um ferrador tem de assentar essa ferradura no casco do cavalo e cravar (pregar) uns pequenos pregos chamados cravos – daí a expressão “cravar” – no casco do cavalo. A ferradura fica cravada no casco e o cavalo já não se magoa ao andar em solos mais duros.

Quando um ferrador está a cravar uma ferradura tem de ter cuidado para acertar apenas nos cravos, porque se acerta na ferradura está puramente a dar uma martelada no pé do pobre cavalo.

Daí a expressão “uma no cravo, outra na ferradura”. Quando estamos a fazer um trabalho, às vezes acertamos e logo a seguir fazemos asneira.

Hoje o meu filho assim fez. Deu uma no cravo, outra na ferradura.

Como estamos em altura do treino do bacio, vamos fazendo a sugestão e tentamos aproveitar todas as oportunidades de fazer as coisas no sítio certo.
Depois de lhe vestir a fralda-cueca, ele diz-me logo a seguir “papá, quero bacio”. Aproveita – pensei eu imediatamente – e levei-o nesse instante para o bacio. Sentou-se, leu um livro, cantou, fez um silêncio, disse “já está” e levantou-se. Um chichi enorme. Orgulho de pai. 🙂

Quando o comecei a vestir de novo já não quis a fralda cueca e perguntei se queria a cueca. Disse que sim e, mais uma vez, aproveitei a oportunidade.
Foi para junto da televisão e quando regressei para junto dele, cheirou-me. E não era a bolinho de canela, como na música da Xana Toc-Toc. “Filho! Que se passou?” A resposta era óbvia. Pelos vistos o “já está” ainda não estava.

Banheira, roupa lavada e prontos (mais uma vez) para ir para a escola. Se calhar eu devia-me ter lembrado de outro ditado. “Quando a fartura é muita, o pobre desconfia.”

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