E quem é o Zé?

Nasci em Coimbra e cresci em vários sítios diferentes. Por isso, sou de todo o lado e de lado nenhum.

Filho de dois professores primários, já estava na escola antes de ir para a escola.

A Música
Cedo estive ligado à música. Em pequeno, acompanhava um rancho folclórico como uma especie de “mascote”. Eu era a recriação de uma crianca que brincava com o seu arco.
Num dia de ensaios, o meu irmão inscreveu-se em aulas de viola. Lá o acompanhei, apenas para não ficar em casa. O mestre de musica viu-me ali num canto a brincar e disse-me: “Oh Zé. Pega assim no cavaquinho e faz isto.” Assim fiz. “Agora assim. Pronto já sabes tocar cavaquinho!”
Foi nesse momento que comecei de facto a ficar ligado à musica.

Toquei Cavaquinho durante anos e depois aprendi Viola e Bandolim. Só muito mais tarde é que passei para outros instrumentos.

O Gabinete das Trovoadas
Algures no 2o Ciclo, um professor “lembrou-se” de criar uma estação meteorológica na escola. Arranjou apoios e lá comprou os sensores de temperatura, chuva, vento e até um receptor de satélite para receber as imagens do espaço. Deu-nos literatura do Anthimio de Azevedo e lá estudámos essa coisa da meteorologia. Criámos um boletim semanal de previsão do tempo (que muitas vezes estava correcto) e fazíamos medições diárias em folhas mensais. Fomos a Lisboa a uma exposição do projecto que tinha dado o apoio, no Museu da Eletricidade, fazer uma mostra do nosso trabalho. Até aparecemos numa reportagem da RTP1!
Foi uma experiência muito boa e tenho recordações muito boas desse tempo.

A Sala da Luz Vermelha
Entretanto, segui para o ensino secundário e fui para a Escola Secundária de Montemor-o-Velho. Já na adolescência, passei por todos os dramas dos harmónios (como dizia uma das S’toras) e foi aí que descobri os meus primeiros verdadeiros amigos. Aqueles que, mesmo já estando ao meu lado desde que eu era pequeno, se mostraram verdadeiros amigos. Estavam no sitio certo, na altura certa, mas mais do que isso souberam dizer-me as coisas certas e isso era uma coisa que só eles podiam fazer.
Depois dos primeiros dois anos a fazer as disciplinas “que tinha de ser”, passei os dois últimos anos do secundário a fazer o que mais gostava. Física, Matemática e Química. E como no “quarto” ano do secundário (sim, porque felizmente pude fazer dois 12º) me deixava muito tempo livre, tive oportunidade de trabalhar em Fotografia. Foram anos de grande criatividade.
Foi Física que puxou mais por mim, graças a um professor excepcional, o Prof. Tremoço. As aulas dele eram 60% matéria e 40% da restante física. Desde explicar-nos porque é que os carros travam (atrito estático vs cinético) ou o que acontece quando colocamos um despertador a tocar dentro de uma câmara de vácuo. No último ano tive a oportunidade de pertencer à organização do “dia da física”, onde organizámos um conjunto de experiências ligadas à física (lasers e prismas, máquina de van-der-graft, as equações de Euler com um aspirador e uma bola de ping-pong, sensores de luz e velocidade, e outras coisas deste género).

Foi também aqui que encontrei o meu mentor da fotografia, o Prof. José Vieira. Com ele descobri o que era fotografia verdadeiramente. Com ele aprendi fotografia básica, composição, tema, etc. Aprendi a revelar e a usar a câmara escura que a escola tinha e que era tão pouco usada. Esta sala era própria para os trabalhos de fotografia e tinha uma luz vermelha à entrada para indicar que não se podia abrir a porta, pois a luz “normal” iria estragar o processo de revelação. Cheguei a comprar um rolo de filme fotográfico de 30 metros, o qual eu cortava em pedaços de 1m e enrrolava em bobines normais. Revelei esses rolos e fiz as ampliações das fotografias. Em suma, “fiz” a fotografia do mais básico até ao produto final, a fotografia em positivo. Só faltava “fazer” a película fotográfica propriamente dita, mas já era um processo mais complexo e acabámos por não ir por aí.
Numa destas aventuras, criámos uma pin-hole. Uma máquina fotográfica feita com uma caixa de cartão, onde de um lado tinha um pequeno furo feito com uma agulha (pin=agulha e hole=buraco) e do outro lado colávamos um papel fotográfico com um pouco de fita-cola. O buraco estava tapado com um pequeno papel e quando queríamos fazer a exposição abriamos durante algum tempo (uns 30 segundos, se bem que dependia do tamanho do buraco e da luminosidade, se bem que era um processo muito intuitivo). Estas fotos têm a característica de serem em negativo, invertidas. Daí termos de fazer a exposição em positivo. Uma caixa comprida dava um efeito “zoom” e uma caixa curta dava um efeito “grande-angular”.
O próximo passo era fazer uma pin-hole com uma sala. Planeámos fechar as janelas de uma sala, deixar um pequeno buraco numa das janelas e colocaríamos o papel de fotografia colado na parede oposta. Uma pin-hole gigante! Ainda chegámos a fazer o teste com um lençol, para ver a imagem projectada mas depois não demos seguimento ao projecto.

Estas foram as artes e ciências pelas quais me apaixonei naqueles anos. E foram anos muito bons, acompanhados por amigos muito especiais.

O Sete-Estrelo

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3 thoughts on “E quem é o Zé?

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  1. Estive a vasculhar o teu blog… os teus blogs… e adorei.

    Ser estranho, é ser especial, questionar as coisas, partilhar com os outros uma frase, uma palavra, uma imagem…um pensamento.

    Escreveste (no outro blog) uma linda frase sobre o “amor”, sobre quem faz sorrir… gostei dela e roubei-ta…

    Fizeste-me lembrar muito alguem… alguem que me faz sorrir só de pensar nela. Obrigada por isso.

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